Verdades difíceis

Verdades difíceis, mas que todo Empreendedor deveria saber

Eu já falei várias vezes da admiração que tenho por quem toma a decisão de abrir seu próprio negócio. E é a mais pura verdade. Tiro o meu chapéu para aqueles que, apesar de todas as dificuldades e adversidades do ecossistema de negócios brasileiro, decidem empreender.

 

Mas eu tenho percebido que muitos empresários estão usando equivocadamente esse título de “empreendedor: herói destemido” para justificar sua conduta ineficaz e, porque não dizer, irresponsável na condução dos seus negócios.

 

Calma, não estou aqui para ofender ou apontar o dedo, longe disso. Quero apenas compartilhar algumas reflexões e, quem sabe, se fizer sentido para você, te ajudar a encontrar soluções a partir de um outro ponto de vista.

 

Se a minha falecida mãe fosse consultora de gestão e ouvisse o choro dos empreendedores, tipo “os impostos estão acabando com o meu negócio”; ou “a legislação trabalhista é contra o empregador”; ou ainda “é muita exigência, muita burocracia”, ela diria de uma forma muito direta: “vem cá, você já não sabia disso antes de abrir tua empresa? Então, do que você está reclamando?”.

 

E ela teria razão! Simples assim. Ninguém nos obriga a abrir uma empresa. A decisão é individual. Mesmo que não se faça um planejamento adequado, avaliando o mercado, as tendências, os prós e contras, o básico a gente sabe: há uma cartilha para seguir, há obrigações legais, tributárias e trabalhistas que as empresas precisam cumprir. Isso realmente não é novidade.

 

Também não é novidade o cenário de instabilidade econômica e política e os escassos incentivos para os pequenos empresários. Aliás, há uma “instabilidade” menos instável desde o controle da inflação a partir de 1994 e desde a Lei Geral da Pequena Empresa, de 2006. Ou seja, quem abriu uma empresa depois desses eventos, já opera num cenário menos hostil.

 

Outra coisa que não deveria ser novidade para quem empreende é o tempo de dedicação e o modo “ser empresário em tempo integral”. A gente realmente nunca desliga. E essa é uma responsabilidade que não dá para ser terceirizada. Ela pode ser dividida ou compartilhada com um sócio ou um colaborador? Pode. Mas até para isso, é preciso construir e consolidar muita coisa primeiro.

 

Você está cansado? Não quer mais passar 15, 20 horas por dia na sua empresa? Quer conseguir tirar férias com a família? Quer curtir mais a vida e se beneficiar do negócio que você criou? Ótimo, eu realmente acho que precisamos viver mais porque a vida é muito curta e ela passa muito rápido. Mas, atenção: você escolheu empreender e sabia minimamente o que isso significaria, então, assuma o ônus da sua escolha.

 

Se hoje você se encontra nesse estado de estresse e está no seu limite, elabore um plano de saída. Sim, há alternativas e você precisa decidir qual será a sua opção, desenhar o plano com ações e prazos, e executar!

 

Tem um exemplo real de um empreendedor que estava exatamente nesse ponto quando tomou a decisão de mudar. Ele criou uma meta pessoal de que em dois anos iria conseguir tirar férias com a família e a empresa funcionaria sem a sua presença.

 

Ele identificou tudo o que precisava ser feito para que esse momento chegasse e com foco e determinação trabalhou para viabilizar o plano. Ele tinha uma motivação real brilhando na frente dele: tempo com a família.

 

Sejamos pragmáticos: uma outra saída é vender ou encerrar o negócio. E não tem nenhum pecado ou feiura nisso. Se você chegar à conclusão de que não quer continuar empreendendo porque o ônus é muito alto, faça um plano para encerrar. Sim, também é necessário planejar isso com antecedência.

 

O que é feio, negativo e não ajuda em nada, é ficar no discurso eterno do quanto é “duro ser empreendedor no Brasil”, lamentando-se o tempo todo do mercado, das escassas políticas de incentivo, da legislação, das pessoas que trabalham para você.

 

Agora, empurrar o problema com a barriga ou achar que tudo vai se resolver instantaneamente, desculpe, é ilusão. Você decidiu entrar nesse universo porque vislumbrou inúmeras perspectivas que fizeram o seu olho brilhar. Não está dando certo? Não foi bem o que você imaginou? Então, decida mudar. A chave da porta está nas suas mãos.

Empreender é um processo de iniciativa e de mudança. Pense nisso.

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

CONFIRA

MAIS ARTIGOS

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

Shopping cart

0

No products in the cart.