Porque sua empresa não consegue reter talentos

O Melífago-Regente é um pássaro nativo do sudeste australiano que, assim como tantas outras espécies, está ameaçado de extinção. Estima-se que existam apenas 300 aves no mundo todo. Mas, o que mais chamou a atenção nas recentes pesquisas sobre essa espécie é que ela está “esquecendo” como cantar.

 

Isso mesmo, o pássaro se tornou tão ameaçado que começou a perder a capacidade de cantar. “Eles não têm a chance de andar por aí com outros Melífagos e aprender como deveriam soar seu canto”, explica o pesquisador Ross Crates, que é membro do Difficult Bird Research Group da Universidade Nacional da Austrália. E, além disso, eles acabam copiando o canto de outros pássaros com os quais convivem, o que prejudica a proliferação da espécie.

 

Achei essa matéria da BBC News muito interessante e, como não sou bióloga, ornitóloga ou cientista, fui logo correlacionando esse curioso exemplo da natureza com o mundo empresarial. A pergunta é: por que estamos emudecendo os Melífagos das nossas equipes e o que devemos fazer para que eles voltem a cantar?

 

Sabe aquele seu colaborador motivado, participativo, dedicado, cheio de ideias para implementar na empresa e que, de repente, começou a ficar mais quieto e menos entusiasmado? Pois é, assim como os pássaros do sudeste australiano, ele pode estar se esquecendo da própria melodia e começando a entoar o canto já presente na sua empresa.

 

Se não é isso que você quer, e nem quer ver mais um talento voando para longe, continue a ler este artigo.

 

Qual o “habitat” da sua empresa?

 

Nos últimos meses, tive muitas conversas com profissionais em busca de recolocação no mercado de trabalho. Não, nenhum deles vítima do desemprego. Todos, na verdade, buscando novas oportunidades porque o atual emprego não lhes oferece possibilidades de desenvolvimento.

 

As histórias são sempre parecidas: processos seletivos exigentes, muito gás e expectativa para agregar e, meses depois, o cansaço de remar sozinho e a decepção de não ter conseguido implementar nada novo.

 

Para compreender essa frustração é preciso ponderar alguns aspectos como, por exemplo, a impaciência das novas gerações que, às vezes, chega a ser até uma afobação, querendo resultados para ontem. E, claro, a própria condição financeira do profissional, que busca por novas oportunidades para ter mais segurança. Nem todos estão na condição de poder escolher, infelizmente.

 

Por outro lado, há um claro contrassenso nas pequenas e médias empresas entre o que elas exigem e o que de fato oferecem aos profissionais contratados. Não estou me referindo a remuneração, mas ao “habitat”.

 

É comum ler nos anúncios de vagas os seguintes comportamentos e atitudes necessários:  proatividade, liderança, espírito de equipe, criatividade. Além, é claro, da formação, dos cursos e, preferencialmente, da experiência e da vontade de crescer com a organização. Ora, olhando um anúncio desses, é para se imaginar que a empresa valoriza e vivencia esses comportamentos, desde a direção até os futuros colegas de equipe. Que a empresa está buscando profissionais capacitados e que oferece um ambiente propício para o desenvolvimento.  Você não pensaria assim também?

 

Pois é, mas a realidade acaba sendo bem diferente da expectativa e a empresa que chama por talentos, oferece a eles um habitat inóspito sem possibilidade para pôr em prática o que foi requisitado na vaga. O cenário é de total falta de planejamento, gestão altamente centralizadora, ausência de liderança, pessoas desmotivadas, barreiras à mudança e nenhum investimento ou incentivo de capacitação e desenvolvimento.

 

Bem, naturalmente, quem tiver asas vai sair à procura do bando. O profissional que se aperfeiçoa constantemente, que é proativo e que quer agregar à empresa, não permanecerá por muito tempo num ambiente desses. E, se ficar, é porque não tem outra opção e irá automaticamente emudecendo.

 

Para reter um talento e fazer com que ele contagie positivamente o restante da organização é preciso que a direção corrobore com a implementação de uma nova gestão e, começando de cima para baixo. Na grande parte dos casos, os profissionais de talento não deixam as empresas porque elas são pequenas demais ou porque estão descontentes com o salário. Eles saem frustrados com a estagnação do dono que freia o desenvolvimento das pessoas e, por consequência, da própria empresa. Eles saem porque o habitat que o dono criou e cultiva, não é promissor.

 

Componha a melodia da sua empresa

 

Mas nem tudo está perdido para os Melífagos-Regentes da Austrália. Para reverter a situação e aumentar a população da espécie, os cientistas estão ensinando os pássaros a cantarem novamente. Eles estão usando gravações de pássaros selvagens para ensinar aos Melífagos, em cativeiro, seu próprio canto e, de tempos em tempos, irão liberá-los na natureza.

 

O cientista responsável pelo projeto destaca que para conservar uma espécie é preciso levar em conta seus “traços culturais” como o canto, por exemplo. E aqui eu pergunto: quais são os traços culturais da sua empresa? Qual o propósito e quais os valores?  Qual perfil profissional tem mais aderência a ela?

 

Se você está conseguindo trazer talentos, mas não consegue fazer com que eles fiquem, tem dois pontos importantes: o primeiro é que sua empresa deve ser boa em marketing; e, o segundo, é que há um claro desajuste entre o perfil que você procura e o perfil profissional que se adequa à cultura da sua empresa. E sem ter os traços culturais definidos, não há como acertar esse descompasso.

 

Então, você quer parar de perder talentos e conseguir montar um bom time? Componha a canção da sua empresa: aonde ela quer chegar, como ela chegará e quais as competências e atitudes que são necessárias para isso. Capacite, cante junto, una o bando. Se todos souberem com clareza qual melodia deve ser entoada, quem vai voar será a sua empresa. Mas não para longe, para o alto. Cada vez mais alto.

 

Até a próxima!

 

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