Em qualquer conversa, seja ela qual for, é inevitável falarmos que o maior vilão de nossas vidas é a falta de tempo, ou seja, que aí está a causa de todos os males e que em função dessa condição não nos permitimos fazer aquilo que gostaríamos de fazer.
Diante disso, poderíamos afirmar com total assertividade que a fórmula do sucesso é encontrar um meio para amplificarmos o nosso tempo disponível, assim, resolveríamos todos os nossos problemas, colocando tudo o que pensamos em prática e na mais perfeita ordem, certo?
Infelizmente não é assim, pois quem define a qualidade do que você faz ou a qualidade da sua vida são as suas escolhas.
A cada dia, hora, minuto ou segundo, corremos contra o tempo tentando absorver tudo o que acreditamos ser essencial para a ampliação do nosso conhecimento e para nos mantermos atualizados, já que isso é uma condição natural e necessária para o nosso crescimento e desenvolvimento.
Porém, muitas vezes priorizamos os valores do mundo e não os valores “eternos”, pois deixamos o nosso trabalho consumir o precioso tempo que deveríamos doar à família, aos amigos, ou melhor, às pessoas que nos fazem bem. Corremos atrás de recursos para satisfazer os nossos desejos, os desejos dos nossos familiares, privilegiando “coisas” ao invés do tempo que deveríamos disponibilizar para uma boa conversa, boas risadas, um tempo para chorar juntos e aprender mais ainda um com o outro.
E essa rotina diária absorve tanto tempo de nossa vidas que quando nos damos conta pessoas preciosas deixaram de estar presentes em nossas vidas, seja por mudanças de rotas, ou porque algo súbito aconteceu e elas inevitavelmente deixam de estar “entre nós”.
Por mais que tenhamos o ímpeto de abraçar o mundo e de nos tornarmos super-heróis, o que precisamos entender é que esse padrão “FIFA” de extrema exigência profissional não faz a mínima diferença para quem realmente nos ama. Normalmente, um filho não quer saber quanto o pai tem disponível em sua conta corrente, ele só quer o seu tempo, o seu sorriso, a sua dedicação.
Eu não estou sugerindo que você tem que largar tudo e viver uma vida alternativa, nada disso! Estou afirmando que você é livre para fazer escolhas e que todas essas escolhas têm um preço.
E o que isso tem a ver com a ambiente empresarial, corporativo, profissional? Tudo!
Por mais que alguns tentem, você não consegue ser duas pessoas diferentes – uma no ambiente familiar e outra no ambiente profissional. Independente das suas escolhas, tudo o que você faz interfere direta ou indiretamente em todas as esferas da sua vida.
As nossas escolhas, muitas vezes, se encarregam de desviar o nosso foco ao que não agrega valor, ao que não nos supre de fato. Pela inércia gerada por uma vida maluca, competitiva e que nos impele a tomar decisões puramente mecânicas, muitas vezes esquecemos das pessoas, da nossa capacidade natural de ajudar, de interagir e nos doar com todo o empenho necessário para que haja uma transformação verdadeira.
E essa transformação só ocorre quando existe propósito, e só existe propósito quando existe uma ligação direta com o outro, ou seja, quando existe intimidade e conhecimento mútuo. O fundamental é cultivar os relacionamentos e ter a capacidade de se doar a quem está ao nosso lado. Difícil, certo? Sempre esperamos algo em troca, até porque quando falamos em gestão, temos a concepção de uma via de mão dupla e realmente concordo que deveria ser assim.
Porém, temos que fazer a nossa parte e compreender que tudo isso está diretamente ligado a nossa capacidade de racionalizar o nosso estado atual e trazer à tona uma profunda reflexão que nos faça discernir o que realmente é importante, que gere paz, tranquilidade e porque não, sanidade, a fim de que tenhamos cada vez mais tempo a ser dedicado ao que realmente importa.
Existe uma frase que reflete bem esse difícil processo: “Precisamos planejar e refletir sobre nossas decisões, mas tentar encontrar um caminho sem obstáculos é o mesmo que decidir não ir a lugar nenhum”.


