Feito é melhor que perfeito?

Na última semana, em meus momentos de leitura, me deparei com a frase: “feito é melhor que perfeito”. Interessante, pois esta simples frase traz uma abertura gigantesca para análise.

Enquanto me deparei com a frase, iniciei uma rápida análise dos perfis das pessoas que estão gerindo cargos de responsabilidade nas empresas. Como sabemos, todos os cargos possuem responsabilidades, mas me refiro a cargos estratégicos, independente da função descrita na carteira de trabalho. E incluem-se aqui, gestores e proprietários de empresas.

 

Essa frase possui duas faces interessantes: ela nos impulsiona a resolver, ir adiante, testar, solucionar, ampliar as ideias e a criatividade, mesmo que a eficiência e a eficácia não estejam em 100%. Mas, traz outro lado desta moeda que é perigoso, e que se mal interpretado pode firmar a mediocridade.

Em resumo, qualquer profissional que tenha o mínimo de sabedoria e de entendimento das suas responsabilidades, compreende que não pode fazer o seu trabalho “nas coxas”, utilizando essa expressão tão conhecida atualmente. Ou deveria compreender!

 

Todos têm o entendimento que a perfeição é uma utopia em todas as suas esferas, porém, isso não deveria desqualificar a importância da busca pelo melhor em quaisquer circunstâncias.

Fica claro que não podemos travar diante de um problema quando não temos todas as ferramentas, recursos e conhecimento para resolvê-lo. Afinal, agilidade e criatividade precisam ser utilizadas o tempo todo. Porém, esquecemos que a palavra de ordem aqui é responsabilidade.

 

Neste sentido, quando aumentamos proporcionalmente a dose de criatividade, jogo de cintura, motivação para buscar a solução e muita responsabilidade, temos a equação ideal para qualquer processo.

Responsabilidade com dados, com a interpretação dos fatos, com a comunicação, no relacionamento com as pessoas, com a abordagem e principalmente com as entregas.

Mas, em boa parte das situações, somos especialistas em inventar desculpas, culpando a falta de tempo, de recursos, de pessoas, para ficar na superficialidade das entregas. Muitas vezes, somos “caras de pau” mesmo, e empurramos até para os outros a nossa ineficiência, falta de responsabilidade e falta de vontade com as coisas. Se tem alguém que faz, porque vou gastar energia à toa?

 

Neste caso, inicia-se o processo de desequilíbrio na execução e na equipe, já que muitos estão sobrecarregados não pelo excesso de trabalho, mas pelo excesso de retrabalho — seu e dos outros.

Lembro de uma frase antiga que reflete bem isso: “se passar, passou”. Em resumo, manda pra frente que está valendo! O que importa é que entreguei no prazo.

 

Penso que a má gestão do excesso de informação e a cultura da negligência, estão deixando muitos profissionais superficiais e o senso crítico está sendo abandonado, sem pai nem mãe.

Mas preciso que vocês reflitam sobre o resultado negativo do processo:

 

1. Qual é o custo do retrabalho na sua empresa?

2. Qual é o custo do tempo perdido que não pode ser recuperado?

3. Quanto tempo passamos remediando situações que poderiam ser tratadas de forma mais precisa já na primeira vez?

4. Qual é custo do descontentamento e perda de clientes e parceiros?

5. Você é especialista em entregar soluções ou em dar desculpas?

Ninguém faz esta conta, porém, estamos pagando esta conta. E custa muito caro!

Mas existe um lado ainda pior neste processo: quando entendemos que isso faz parte do processo “natural” da gestão, e nos conformamos a esta realidade sem buscar uma análise mais crítica do processo, uma análise das competências de cada profissional, uma análise das necessidades de treinamento e desenvolvimento da equipe, e por aí vai.

 

E trazendo um pouco a teoria relacionada a gestão da produção e do Lean, que serve para tudo na vida, é importante que entendamos os conceitos de eficiência e eficácia:

 

• Se você faz as coisas erradas do jeito certo, você é eficiente e não eficaz.

• Se você faz as coisas erradas do jeito errado, você não é nem eficiente, nem eficaz.

• Se você faz as coisas certas do jeito errado, você é eficaz, porém, não eficiente.

• E se você faz as coisas certas do jeito certo, aí sim você é eficiente e eficaz!

 

Em resumo, os princípios não caminham separados. Portanto, isso precisa ser disseminado como cultura organizacional para que possamos virar este jogo. E isso começa por você que está lendo este artigo!

 

Abraços e sucesso!

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