Consultoria e Assessoria

Como transformar o hobby em um negócio sustentável

Ana Maria trabalha há 6 anos como compradora para uma marca de roupas femininas, cuja venda é exclusivamente online. Ana se formou em administração e se especializou em comércio exterior, mas foi sua paixão pela moda e pelo design que a fez entrar na empresa e se estabelecer na função.

Como a empresa é pequena, Ana acabou se envolvendo com todas as áreas e, principalmente, com o pessoal de pesquisa e desenvolvimento de produtos. Isso a fez, inclusive, buscar cursos em modelagem e estilismo, o que a qualificou ainda mais para negociar com os fornecedores e parceiros. Mas não foi só isso: também despertou a vontade de desenhar e criar seus próprios modelos, o que acabou virando uma deliciosa distração para os seus finais de semana. Sabe aquela atividade prazerosa que ajuda a esfriar a cabeça? Pois é!

Já tem algum tempo que familiares e amigos próximos a instigam a abrir seu negócio próprio, afinal, as peças que ela cria são lindas e não deve ser tão difícil vender online. Ana Maria balançou com a ideia, principalmente depois de algumas mudanças que aconteceram na firma. E agora, o que fazer? Ana transforma sua ‘atividade prazerosa’ em um negócio? O que você acha?

É realmente tentador poder fazer todos os dias aquilo que mais gostamos e ainda ganhar dinheiro com isso, não é mesmo? Talvez você mesmo esteja com essa ideia na cabeça. Mas transformar hobby em trabalho pode não ser tão simples assim, especialmente se não tiver muito planejamento e preparação. Nem sempre há um pote de ouro no fim deste arco-íris e para não se frustrar com a mudança, te convido a pensar sobre alguns aspectos bem relevantes:

  • Segundo a ciência, ter um hobby traz saúde, bem-estar e nos torna mais produtivos. Mas quando transformamos essa atividade de fim de semana em trabalho diário, estamos atravessando a fronteira entre prazer e obrigação. Por exemplo: aquilo que você faz de graça apenas porque gosta, passa a ter que monetizar porque você precisa sobreviver disso. Ou seja: ele sai da esfera do relaxamento para a esfera dos prazos e cobranças.  Sem dúvida, o prazer diminui e a pressão aumenta. Pense nisso!
  • Existe demanda suficiente para o seu hobby virar um negócio? O que você faz é realmente bom e tem um diferencial aos olhos do mercado? Pegando o exemplo da Ana, os amigos e a família acham-na muito talentosa e certamente comprariam seus produtos. Porém, já vi muitas histórias como essa e, a não ser que sua família seja muito numerosa e disposta a pagar o preço justo, é através de um bom plano de negócios que você saberá se a sua ideia será realmente viável e sustentável. Incentivo e apoio das pessoas queridas são fundamentais, mas não garantem sucesso e retorno financeiro. Não recomendo uma mudança dessas sem fazer muita pesquisa e muitas contas.
  • Você está pronto para ter um negócio? Talvez aquilo que você mais gosta de fazer será o que você menos fará no seu dia-a-dia. Sim, isso mesmo!  Vendas, negociação, liderança, estratégia. Há um kit de habilidades que precisam ser desenvolvidas pelo empreendedor para que o negócio se sustente. Mesmo que você pense em ser um empreendedor individual, você precisa ter um perfil de vendas, ser ousado, confiante e conseguir se expor. Lembrando novamente do exemplo da Ana Maria, a venda online demanda muita estratégia e investimento. Não se iluda! Nenhum produto ou serviço, seja na esfera virtual ou física, deslancha sem isso.

E, finalmente, se você gabaritou nas questões anteriores – tem certeza que quer fazer do seu hobby um negócio, validou a ideia através de um bom plano de negócio e possui (ou está desenvolvendo) as habilidades necessárias para um empreendedor, uma última reflexão para hoje: você tem dinheiro para investir e se manter?

Nossa amiga Ana Maria está nessa etapa. Ela já sabe que vai levar uns 10 meses até que o negócio gere resultado suficiente para mantê-la. Com o estudo de viabilidade econômico-financeira, ela sabe o valor que precisará para iniciar o negócio e bancar os custos neste período. Agora ela está analisando as possibilidades para levantar a quantia necessária.

A Ana chegou à conclusão de que vale a pena transformar a atividade que ela tanto gosta em um negócio e está se preparando para isso. Se você concluir que no seu caso é melhor preservar o hobby e manter a carreira, uma dica: é possível aliar as duas coisas. O que importa, de qualquer forma, é estar feliz no que se faz!

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