Uma das ferramentas mais utilizadas em planejamento estratégico é a Matriz SWOT, sigla em inglês para forças (strengths), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats). Além de simples, ela é útil tanto para planejamento organizacional quanto para planejamento pessoal e de carreira.
Quando aplicamos a SWOT, levantamos todos os prós e contras do cenário atual e refletimos sobre tudo o que precisamos fazer para chegar no cenário desejado. A partir disso, definimos metas e planos de melhoria.
Quem já participou da aplicação desta ferramenta sabe que há duas análises importantes: o ambiente interno, onde temos poder de decisão e autonomia para agir; e o ambiente externo, onde somos afetados por decisões e eventos que não dependem de nós, como: legislação, política econômica, mudanças tecnológicas, guerras comerciais entre países, e por aí vai.
Na construção da SWOT, por mais que façamos o exercício coletivo de pensar fora da caixa, é impossível prever todos os eventos que podem vir a acontecer nesse mundo globalizado e sem fronteiras, e menos ainda a intensidade com que podem afetar nossas organizações e vidas. O Coronavírus, por exemplo, que surgiu na China e já está impactando o mundo inteiro, influenciando o comportamento e o dia-a-dia de pessoas e organizações, é um desses eventos difíceis de prever. Aí vem a grande questão: é possível se preparar para lidar com o inesperado?
Teoria da Evolução
Problema novo, solução antiga. Um dos pilares da teoria da evolução das espécies de Darwin é a adaptabilidade. E é justamente a capacidade de adaptação às mudanças que nossas organizações precisam desenvolver e exercitar constantemente para lidar com eventos inesperados como este. Não conseguiremos apontar que eventos acontecerão, mas podemos, sim, pensar e trabalhar para tornar nossas organizações menos engessadas, mais leves e fluidas para que se adaptem com mais rapidez aos cenários que se apresentam, sejam eles de oportunidades ou de ameaças, como o momento atual com o Coronavírus.
A escalada mundial do COVID-19 mudou a rotina de pessoas e organizações. Meu professor de funcional falava ainda na semana passada que alguns alunos estavam com medo de ir para a academia e que ele já pensava em disponibilizar aulas virtuais, caso tivesse que restringir o contato entre as pessoas por algum tempo. Ele agiu rápido e no mesmo dia em que o governador decretou o fechamento das academias, começou a enviar vídeos de treinos personalizados para cada um de seus alunos.
Muitas organizações começaram a trabalhar virtualmente com seus colaboradores em home office no mesmo dia do decreto. Mas isso exige que todos tenham equipamentos, boa internet e acesso remoto ao sistema. Sabemos que nem todas as organizações estão preparadas para isso.
Essa situação nos força a repensar nossa forma de planejar e agir. Talvez não devêssemos ter adiado tanto a criação daquele novo canal de vendas, o acesso das pessoas ao sistema e aos dados, os testes do aplicativo para reuniões à distância. Nos damos conta de que o fato de gerirmos apenas focados no dia-a-dia, sem inovar, sem pensar nas mudanças que acontecem de maneira cada vez mais rápida, nos paralisa mais do que deveria.
Quando fazemos o exercício de pensar o futuro da organização através da matriz SWOT, ou de outra ferramenta similar, o foco não deve estar apenas em prever o máximo de ameaças e oportunidades possíveis, mas, sim, em como vamos nos preparar para lidar com elas. E isso requer resiliência, adaptabilidade, inovação, criatividade e muita inteligência emocional.


