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Percepção da realidade

Percepção. Como um dos conceitos atribuídos a essa palavra, podemos defini-la como a maneira que vemos, julgamos, conceituamos e qualificamos as coisas mundo afora e até em nós mesmos. Profundo, não é mesmo?

Como somos seres imperfeitos, é válida a reflexão de que deveríamos ter mais cuidado ao julgar as pessoas/profissionais apenas pelo que aparentam ser. É cada vez mais comum um profissional ser rotulado “disso” ou “daquilo” pelos outros – incluindo quem tem uma relação próxima ou até diária com este profissional e não tem a menor noção do que pode influenciar determinado comportamento ou tomada de decisão. E mais: sequer entende o contexto em que estão inseridos.

Deixo claro que não quero enfatizar aspectos e consequências pessoais – se é que há como separar as duas coisas, em função da vastidão do tema e do fato de sabermos o quanto isso tem ligação direta com as atitudes e a performance na vida profissional. O que trago à reflexão é a análise de quanto um cenário totalmente degradante pode influenciar ou mudar toda a linha de trabalho de um profissional.

Entenda-se como cenário totalmente degradante algo que tem como alicerce a degradação moral que é sinônimo de devassidão, desonra, envilecimento, infâmia, baixeza, aviltamento, corrupção.

Estamos vivenciando isso nos dias atuais de uma forma mais acentuada do que em outros tempos e a reflexão recai sobre a batalha diária de profissionais sérios (falo de caráter) com o mundo empresarial ou dos negócios, que lutam para levar as empresas, o que é inegociável, ou deveria ser.

Normalmente se é contratado para fazer um trabalho específico e as entrevistas de emprego jamais descrevem o ambiente. E quando você entra no dia a dia, com os vícios, a cultura, o comportamento – falo daqueles maléficos ao desempenho das atividades descritas na função –, você percebe que só tem três alternativas: mudar o ambiente, se adaptar a ele ou pegar “as malas” e buscar outra oportunidade.

Se os seus valores pessoais não se encaixam com os da empresa na qual você presta serviços, demita a empresa! A decisão não é simples, porém muitas vezes é a melhor saída, mesmo “doendo” no bolso momentaneamente. E quando você aceita o desafio? Quanto tempo e energia você despende para trazer o ambiente e a cultura da empresa para outro patamar?

Isto é mais comum em cargos de gestão e neste momento é que entra a percepção e o entendimento de que todo o esforço está sendo direcionado para a mudança comportamental, antes mesmo de mudanças de processos ou procedimentos.

Em se tratando da gestão, muitas vezes, você precisa demitir pessoas, cortar privilégios, levar as coisas de forma clara e precisa aos proprietários/diretores/gerentes e se há apoio dentro da empresa, existem boas chances de mudar o contexto, mesmo com muita dificuldade. Porém, isso tudo leva tempo e esse tempo pode ser crucial e determinante para a implantação de soluções que no primeiro momento precisam ficar em segundo plano. Difícil, certo? E se os desvios de caráter e conduta têm origem no mais alto nível da escala hierárquica, aí, sim, o esforço é centuplicado. E aí, vale a pena? O salário está acima do desgaste, da paz, da família e do equilíbrio?

Desconsiderando o absurdo desta frase, seria muito “cômodo” ter o ambiente quase ideal para desempenhar as atividades profissionais e ser cobrado pela entrega de resultados. Hoje, em cargos de gestão, muitas vezes você tem que se preocupar com tudo ao mesmo tempo, sendo que os impactos dessa degradação moral são muito piores que a falta de recursos, pessoas, crédito, máquinas, tecnologia, ou seja, de problemas complexos, porém solucionáveis em quaisquer empresas.

Portanto, o que falta nessas horas é o cuidado, o discernimento, a percepção do ambiente e da forma como as coisas se desenrolam por trás dos bastidores. Normalmente, para quem está inserido há muito tempo no ambiente, existe uma miopia tão arraigada que os desvios e as mentiras acabam se transformando em verdades absolutas.  

Não, isso não é natural! Natural é a preservação de uma cultura de ética, respeito, profissionalismo, clareza, foco, aquilo que todos sabem, que é clichê, mas poucos praticam. Reflita um pouco sobre como você está conduzindo a gestão, os negócios e quais são os seus valores, pois mesmo que você não acredite, tudo o que é positivo será valorizado no seu devido tempo. O que se planta, se colhe!

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