O discurso da Casa Dividida foi proferido por Abraham Lincoln, em 16 de junho de 1858, em Springfield, ao aceitar a indicação do Partido Republicano de Illinois para concorrer ao Senado. A preleção de Lincoln tornou-se uma duradoura imagem do perigo da desunião provocada pela escravidão, e serviu de comunhão para os republicanos dos estados nortistas.
O centro da fala de Lincoln, e que dá nome a ela, é uma citação do Novo Testamento, Livro de Mateus, 12:25, que reza: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”. Ao falar que “uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer”, o político estava se referindo à divisão da nação norte-americana em estados libertários e escravocratas.
Por que resgatar esse tema agora? Porque este é o maior problema de um país como o Brasil em tempos de crise: ninguém se entende. E essa não é uma exclusividade dos brasileiros, mas temos que tratar das nossas próprias mazelas primeiro. Infelizmente, neste momento tão delicado não existem lideranças em busca do consenso. Cada um puxa para um lado, e esta corda certamente vai arrebentar.
Independente de convicções ideológicas, políticas e técnicas, é necessário o consenso para que façamos o que precisa ser feito numa só linha. Hoje temos lideranças falando que a alternativa “A” é mais viável, outros que a “B” é mais assertiva, porém o alfabeto é longo, e a cada dia que passa surgem pessoas diferentes, tratando a crise de formas diferentes.
Em qualquer cenário é essencial que existam opiniões divergentes, afinal é na soma de conhecimentos que ampliamos o campo de visão para tratar os problemas. Mas, no final das contas, deve haver um consenso para que a teoria seja transformada em prática. E, tratando exclusivamente da questão econômica, se todos estiverem parcialmente equivocados? Não sabemos. É uma fase de aprendizado para todos, pois nunca passamos por uma crise de tamanha dimensão, apesar do nosso histórico de problemas políticos e econômicos.
E como ficam os liderados? A população? Acreditamos em quê? Buscamos fontes de informação o tempo todo, mas desinformação é o que impera na maioria dos meios de comunicação. É uma questão de cultura, infelizmente. Nessas horas, quem quer fazer o melhor é rotulado de “louco”, e os loucos muitas vezes são rotulados de “sãos”. E para piorar, o acesso em tempo real a informação é muitas vezes prejudicial, pois não temos o tempo necessário para maturar os processos.
É certo que muitos vão polemizar estas palavras, mas não importa. O importante é chamar a atenção para o perigo da falta de unidade na tomada de decisões.
Gestão
Vamos levar essa problemática para a gestão de uma empresa. É a mesma coisa. Se não houver uma liderança que traga unidade e consenso, independente do posicionamento técnico e comportamental da equipe, nada segue adiante. Quando falamos em liderar, falamos na habilidade de trazer a serenidade necessária para que seja tomada uma decisão. E isso requer sabedoria. E a sabedoria vem do saber ouvir e ponderar todos os lados, tentando juntar o maior volume de informações confiáveis para a tomada de decisão.
Quando um líder não consegue ouvir ele não tem uma equipe. Ele tem profissionais que ‘voam sozinhos’, que agem com livre arbítrio, já que não existe ambiente para discussões e tomadas de decisão em equipe. O resultado desse cenário são ações unilaterais que com muita sorte podem ser benéficas.
Para ilustrar essa reflexão, imagine colocar os melhores jogadores de futebol do mundo juntos, sem um esquema tático, onde todos farão o melhor individualmente. Neste caso, sabemos que o objetivo é marcar gols e ganhar a partida, mas é sempre assim? Nem sempre!
No caso da imensa crise que estamos vivendo, mais importante do que “marcar gols” é que a equipe (a população, as empresas) possa se recuperar gradativamente, unida, para assim o país voltar a boa forma. Porém, precisamos de lideranças que, juntas, façam o que precisa ser feito, deixando de lado as vaidades e pensando no que realmente importa.
É o mesmo nas empresas. Temos que deixar de lado o status quo, a hierarquia das organizações. Ou trabalhamos juntos ou ficará muito mais difícil sair dessa. Sendo assim, historicamente a aplicação prática do conceito de unidade é o que sempre fez e fará diferença em qualquer situação. E para que isso dê certo a melhor receita é usar o potencial das pessoas em busca de algo maior, deixando a vaidade e a individualidade em segundo plano. E isso está em nós, portanto podemos e devemos fazer.


