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Demissão humanizada, o desafio do RH

No mundo organizacional as mudanças acontecem numa velocidade acelerada, nunca vista antes. E tudo indica que esse processo de transformação será ainda mais acelerado com o passar dos anos. Em contrapartida, o que anda devagar quase parando é a relação empregado–empregador. Como em todo relacionamento o começo é mágico e o fim pode ser trágico, se não houver cuidado.

O final, em qualquer situação, precisa ser planejado, cuidadoso e afetuoso, precisa ser humanizado. Precisamos preparar os líderes e profissionais de RH para fazerem desse momento o menos doloroso e traumático possível.

Esse tema é tão assustador que até mesmo em congressos de Recursos Humanos ele é pouco debatido e, consequentemente, menos aprimorado. Ora, se entendemos que o nosso maior ativo nas organizações são as pessoas, por que na hora de findar um relacionamento o fazemos com pouco tempo, no fim do expediente e sem preparação alguma com o que vamos falar? Cadê a empatia? Nesta hora é preciso pensar: Como a pessoa vai se sentir? Será o melhor dia para isso? É essencial se colocar no lugar da pessoa que vai ser desligada.

É interessante como na hora de contratar as organizações prezam tanto pela parte técnica e pela experiência, mas na hora da demissão o fazem por questões comportamentais. É papel do gestor ou consultor de RH e da área deixar essa questão mais equalizada dentro do setor ou da organização. Ao longo do tempo é fundamental ir sinalizando o que está ótimo e o que não está bom, fazer uma DR (Discutir a Relação) entre colaborador e empresa, de tempos em tempos, é essencial para que as duas partes se ajustem. Não podemos esquecer que relacionamentos, para darem certo, precisam de manutenção.

Malefícios

Uma demissão malconduzida gera impactos extremamente caros e maléficos para ambas as partes. O primeiro: o clima organizacional fica assustado, desconfiado e, consequentemente, a produtividade fica mais lenta. O segundo: o profissional fica se perguntando por um bom tempo “Por que eu?”, mesmo em casos de redução de quadro, ou de custos, ou se outros 20 colegas tenham sido desligados também. É inevitável o “Por que eu?” ou “Logo agora!”. O terceiro: colaborador magoado e chateado é um ex-empregado que, para lavar a alma, entra com reclamatória trabalhista para conseguir qualquer quantia, só para ser visto novamente e se sentir ressarcido moralmente. O quarto: Perder uma história de formação e ainda ter que gastar com qualificação quando recontrata outra pessoa.

Embora algumas linhas digam que nós somos 100% responsáveis por nossas escolhas (ainda que na maior parte do tempo inconscientemente), precisamos ser tratados com carinho em qualquer circunstância. O colaborador precisa ser acolhido neste momento pelo gestor e pelo profissional de RH.

O processo de desligamento está nas mãos do gestor. O profissional de Recursos Humanos não precisa obrigatoriamente estar presente neste momento, mas cabe a ele a responsabilidade de dar respaldo ao gestor, de prepará-lo e planejar esse processo. Infelizmente, poucos profissionais de RH realmente considerados estratégicos foram preparados para isso, mas deveriam, afinal, eles participam das decisões que constroem o futuro da organização. A área de RH precisa melhorar muito no que se refere ao entendimento do negócio, ao global, ao humanístico.

Fazer uma demissão humanizada é agir com o coração e com a alma. O colaborador precisa sentir que o fim em determinada empresa chegou, mas que a empresa se preocupa em auxiliar: na recolocação, na preparação para futuras entrevistas, na atualização do currículo e, em alguns casos, até em repensar a carreira.

Dentro deste contexto, é preciso acompanhar o colaborador desligado até a saída, ajudá-lo com os pertences, permitir que ele se despeça dos colegas, afinal ele era útil até aquele momento, certo? E ele estará triste, pois o pós-demissão traz um sentimento de luto. Nesta hora é preciso passar por um ritual para nos apoderarmos da perda. É comprovado que quem passa por uma demissão humanizada volta mais rápido ao mercado de trabalho e muito mais forte.

O RH sempre foi um setor importante nas empresas, mas agora, com a mudança de comportamento das pessoas, com a introdução de novas tecnologias e com a criação de novas profissões, seu papel fica ainda mais relevante.

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