Novos tempos, mesmos comportamentos

Entramos e saímos das empresas e o que enxergamos com muita frequência é a dificuldade de gestores e empresários para implementar planos de ação em tempo hábil. Ainda é doloroso colocar em prática o que estava no papel. O mais interessante neste processo é que existe um norte, uma solução está clara, mas o dia a dia consome a rotina dos empresários e gestores, colocando o estratégico na gaveta.

Quando se dão por conta não existem indicadores claros, decisões importantes são postergadas constantemente, pessoas estão desmotivadas, o nível de fofoca aumenta por falta de alinhamento e tudo o que poderia ser um divisor de águas acaba se transformando num ‘balaio de gato’. Para quem não conhece, ‘balaio de gato’ é uma expressão usada para definir um local bagunçado, onde predomina a desordem.

Então vamos ao ponto: por que é tão difícil seguir um plano? Por vários motivos. A resposta é ampla e renderia semanas de discussão.

Muitas vezes isso é motivado por incapacidade técnica – porque existem outras rotinas que satisfazem mais o gestor –, por medo do enfrentamento, pela dificuldade de expor as ideias, pela falta de organização ou de disciplina, pela má gestão do tempo, pelo excesso de centralização, pela falta de entendimento de que as pessoas precisam de direcionamento, pelos novos desafios impostos todos os dias, por problemas alheios a empresa que acabam tomando o lugar daquilo que é essencial, e por aí vai.

Nada disso é novo, certo? Afinal, nossos desafios pessoais caminham de mãos dadas com os desafios empresariais.

A verdade é que a dinâmica das empresas está cada vez mais complexa e o cenário cada vez mais desafiador em todas as esferas. Porém, uma coisa é fato: ou mudamos ou somos ‘atropelados’. Ou colocamos o foco naquilo que é mais importante ou vamos ser enterrados pela avalanche de planos não concretizados que colocamos na gaveta.

A reflexão a ser feita é a seguinte: ou somos mais pensantes do que atuantes, mais observadores do que executores, mais direcionadores do que centralizadores, mais ‘alinhadores’ do que ‘comunicadores’, ou nossa rotina vai virar um caos. E quando tudo está prestes a explodir não é necessária mais dinamite, basta uma pequena faísca. O nível de ansiedade e estresse, seguido pelos bloqueios e falta de ação são os indicadores mais frequentes neste processo.

Em resumo, nada funciona sozinho, porém você precisa definir onde você é mais importante.

Dores

Nós, gestores da estratégia, de pessoas e de processos, precisamos pensar naquilo que está trazendo ‘dor’ a operação e administrar de fato um remédio que leve a cura. A dor é a falta de qualidade da informação? É necessário um sistema, ou um sistema mais robusto, bem alimentado, onde você consiga extrair informações precisas em tempo hábil para a tomada de decisão.

A dor está nas pessoas? Observe, cheque, alinhe, transforme. Se depois de mergulhar de cabeça a coisa continua não avançando, mude, revise, reavalie, traga novas pessoas, novas ideias, busque quem tenha uma solução consolidada e aplicada.

A dor são os parceiros? Crie métricas para mensurar a qualidade e oriente até o limite do bom senso. Questione: os meus parceiros me veem como cliente?

A dor está na falta de espírito de equipe? Treine, descentralize, mas cobre resultados. Observe, ‘pegue na mão’ no sentido de direcionar os colaboradores, e não seja um visitante que aparece de vez enquanto para saber como estão as coisas.

Colocação frequente: “Mas se eu contrato alguém com experiência e um baita currículo, ele deveria saber o que fazer, certo?” Não necessariamente! Sua empresa tem um modus operandi próprio, a cultura de uma empresa é diferente de qualquer outra, portanto é necessário acompanhamento, sempre.

A dor é o descontentamento do cliente? Isso é prioridade! Acompanhe e compreenda o que está gerando problemas e coloque um plano de ação na mesa com prazos e com pessoas responsáveis.

Diante de todo esse cenário, eu questiono: você sabe o que é estratégico para o seu negócio? Você sabe quais ações trazem resultado e quais demandam um visão mais ampla? A questão aqui não é só envolvimento e trabalho duro, mas direcionamento estratégico. Para perenizar o negócio é essencial compreender que é preciso refletir e agir baseado nas virtudes e erros do ontem e do hoje para melhorar o amanhã. E esse exercício é contínuo e deve ser realizado com um olhar clínico, afinal não existem recursos infinitos para resolver todos os problemas simultaneamente.

Essa análise parece sem sentido para você e o seu dia-a-dia segue normalmente no automático? Cuidado, a contagem regressiva foi iniciada!

Autor do post: Uilker Benkendorf, consultor de gestão da Florença





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