Plano de sucessão e o futuro das empresas familiares

Você sabia que de cada 10 empresas que você conhece, nove são familiares? Esse número é alto tanto no Brasil como no mundo e, segundo dados do IBGE e do Sebrae em pesquisa realizada em 2018, as empresas familiares são responsáveis por 65% do PIB e empregam 75% dos trabalhadores do nosso país. Porém, mesmo com essa representatividade toda, nem sempre os profissionais estão preparados para lidar com a natureza específica desse tipo de empresa e as próprias escolas de administração ignoram a intensa influência das famílias nos negócios.

Mas, afinal, quais interesses devem prevalecer numa empresa familiar? Os interesses da família ou da empresa? Tem uma frase do advogado André Silveiro, especialista em Direito Empresarial e escritor de livro sobre o tema, que sintetiza muito bem essa questão: “Deve-se entender que a empresa é da família, mas que não existe para a família. Tal ideia apequenaria a empresa que tem um papel maior endereçado a todos que nela trabalham, a seus consumidores, a seus fornecedores e a toda a comunidade”. Você concorda? Peter Drucker corrobora com essa ideia quando diz que “a empresa e a família só sobreviverão e se sairão bem se a família servir a empresa. Nenhuma das duas se sairá bem se a empresa for dirigida para servir a família.”

E nessa mistura de família e negócio que acontece o tempo todo, há dois grandes equívocos que geram uma série de conflitos e desgastes, o que acaba fazendo com que apenas 30% das empresas familiares sobrevivam à mudança para a segunda geração. Um destes equívocos é o fato de os pais acharem que os filhos devem compartilhar do mesmo sonho que eles e que irão naturalmente sucedê-los à frente do negócio. E o outro, é os filhos acharem que, pelo simples fato de serem filhos dos donos, têm o direito e a competência necessária para participarem da gestão da empresa.

Pais e filhos

Em qual situação você se encontra? Se você é o pai ou a mãe que sonha em ver o filho tocando a empresa no seu lugar e que repete com orgulho: “eu construí isso tudo com muito sacrifício para deixar para o meu filho”, cuidado, você pode estar impedindo a realização profissional do seu filho e ainda colocando o patrimônio da família em risco. E se você é o filho que está nadando tranquilo em águas calmas porque não precisa construir uma carreira já que tem lugar garantido na firma do pai, é bom começar a remar e se preparar porque sua inércia pode colocar tudo a perder.

O fato é que os membros da família cabem dentro da empresa, mas há os lugares certos e compatíveis com suas capacidades e seus direitos. É preciso ampliar a visão sobre o negócio familiar e enxergá-lo sob o aspecto das três dimensões: família/propriedade/gestão (método desenvolvido por John Davis e Renato Tagiuri) e compreender que o fundador não precisa estar na gestão para participar do negócio e o filho não precisa ser diretor executivo para poder participar dos resultados. Esse método clarifica o papel e o interesse de cada um que compõe o sistema da empresa familiar.

É comum, porém, especialmente nas pequenas empresas, “amontoar” todos os membros da família em cargos equivalentes, mesmo que isso deixe o negócio menos eficiente e com menos resultado. A consequência é que com menos dinheiro, com sócios que trabalham e performam mais que outros, mas com ganhos equivalentes, os conflitos nas relações podem subir a níveis irreversíveis.

Sucessão

Mas como é possível resolver essa equação? Como garantir a sobrevivência do negócio, a preservação do patrimônio da família, a realização e a felicidade de pais e filhos e a manutenção de uma relação harmoniosa entre a família? A resposta é: através de um plano de sucessão bem planejado e realizado no momento certo.

Não há um plano de sucessão pronto para aderir à sua empresa. Ele precisará ser construído sob medida considerando a relação familiar, o momento da empresa e as expectativas de cada membro. Pais precisam ouvir seus filhos e compreender que eles têm pontos de vistas diferentes. Os filhos, por sua vez, devem respeitar a hierarquia e a autoridade de seus pais. E todos, é claro, precisam de uma grande dose de boa vontade e coerência!  

Uma dica: se você já está sentindo os efeitos negativos da mistura entre família e negócio, tome a iniciativa e puxe essa pauta. Juntem-se para esboçar as ideias e expectativas individuais como quem vai planejar a casa dos seus sonhos. Depois, chame os “engenheiros e arquitetos de negócios” para colocar tudo isso de pé e fazer o projeto final. Ter ajuda profissional nesse processo é fundamental para não deixar a casa ruir. Pense nisso e inicie enquanto ainda houver saúde, recursos e abertura para o diálogo.

Autor do post: Adriana Moser, consultora de gestão da Florença





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