Sim, é uma crítica!

Vamos voltar ao Planeta Terra? A hora é agora! Sua cabeça está no novo coronavírus ou nas estratégias para vencer mais uma etapa desta crise que assola não só as empresas, mas também nossas mentes? Sinceramente, temos que dar um basta! Não se trata de negligenciar o problema, mas sim de fugir da prostração. Já sabemos que a situação é grave, que nos acompanhará por um bom tempo e que produzirá efeitos devastadores na economia, na saúde, na política, nas relações e na sociedade, contudo temos que pensar no dia de amanhã e nas estratégias para sair da melancolia.

Acredite, se descuidarmos um pouco nossas mentes serão tomadas por este furacão e ficaremos inertes e ainda mais ansiosos por conta da nossa falta de competência natural para lidar com a incerteza. Acorde, momentos como este podem ser incrivelmente ricos em aprendizado e novas oportunidades de reinventar a realidade.

Vale ressaltar que esta chamada cabe para questões técnicas e comportamentais do dia a dia profissional, sem entrar no campo pessoal ou de saúde, que têm outro peso e abordagem.

A ideia não é diminuir o tamanho da porrada nem tampouco surfar nas ondas motivacionais sem sentido. Está sendo duro para todo mundo, mas neste momento só temos uma coisa a fazer: trabalhar, trabalhar e trabalhar mais ainda, sempre com foco na readaptação e compreendendo que teremos uma nova realidade a partir de agora.

Sempre buscamos a segurança, o que não está errado, mas está distante de nós agora. Aliás, um ambiente seguro seria o cenário ideal não fosse o perigo da zona de conforto, ou ‘des’conforto. Perigo porque erramos quando permanecemos muito tempo apegados a ela, o que é comum na humanidade.

Diante do exposto, vem a pergunta: o que estamos fazendo neste exato momento? Estamos encurralados, sem saber o que fazer, ou estamos criando mecanismos para fazer a roda girar? O isolamento social, ou qualquer segundo de tempo mal aproveitado, arrebenta nossas mentes, nosso corpo e nossos corações, pois enquanto estamos inertes nas ações, somos explosivos nas reações. Cabeça vazia, oficina do diabo. O poeta inglês William Cowper ajuda a explicar esse provérbio brasileiro: “falta de ocupação não é repouso; uma mente absolutamente vazia vive angustiada”. Nem é preciso dizer que nossa mente não está vazia, pelo contrário, está preocupada e apreensiva, desencadeando inúmeros outros problemas físicos e emocionais.

Caminhada consistente

O que precisamos entender é ao mesmo tempo simples e complexo: não temos o poder de alterar o que acontece no macro, mas podemos mudar o que acontece no micro. Estamos sempre pensando em como dar passos gigantes, enquanto podemos dar passos pequenos e consistentes.

Nenhum empresário neste momento está feliz com a queda nas vendas, com o atraso nos pagamentos, com a demissão de colaboradores, com a desconstrução de sonhos. Mas é preciso descontruir nossos limites e fazer destes limões azedos uma limonada. A vida segue e ninguém está imune a quedas. Somos melhores do que éramos há poucos meses atrás, isso é certo, e esse amadurecimento forçado nos transforma em profissionais mais abertos a mudanças e a intempéries.

Não se trata de ser conivente e cruzar os braços, mas sim de compreender que o que não tem solução, solucionado está. O fato de ‘a casa cair’ serve como ponto de partida para olharmos ao redor e entendermos como, com quem, em que tempo e com que recursos reconstruirmos a casa. Neste caso, o ‘com quem’ serve para nos lembrar que problemas como o que estamos vivenciando hoje afetam a todos igualmente, ou seja, não estamos sozinhos.

E voltando ‘à casa’, é essencial entender que não é somente em tempo de pandemia que precisamos reconstruí-la. Esta é mais uma crise, mais uma dificuldade na lista de tantas outras que passaram e ainda virão, portanto, a partir do momento em que olharmos para tudo com olhos mais serenos, fixando nossos esforços no que é produtivo, bom e saudável, aos poucos voltaremos a boa forma. Pode apostar!

Autor do post: Uilker Benkendorf, consultor de gestão da Florença





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