A transformação digital começa por um novo modelo mental

O impacto da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus já é sentido no mercado e nas famílias, mas ainda não conseguimos compreendê-lo na totalidade. O que já podemos dizer é que precisamos de uma mudança radical de mindset e cultura organizacional para assimilar a transformação digital que já estava acontecendo, mas foi potencializada pelo COVID-19.

Muitos negócios já são digitais, as pessoas consomem praticamente tudo pela internet e os hábitos de comportamento vêm mudando há muito tempo, como deixa claro o abandono das ligações pela troca de mensagens por aplicativos.

Levar esse conceito para a empresa é um processo complexo, não acontece do dia para a noite, mas a verdade é que a transformação digital é um caminho sem volta e todos precisamos nos adaptar para manter nossos negócios vivos, rentáveis e competitivos.   

Um estudo realizado pela Accenture Global indica que a tecnologia está e estará ainda mais integrada ao processo de vendas B2B em todo o planeta. E com o modelo B2C não será muito diferente. E mesmo quem já assimilou essa ideia está sofrendo com a pandemia. Duas grandes startups anunciaram grandes cortes de funcionários nos últimos dias: Uber e Airbnb. O Uber informou que deverá dispensar 3,7 mil funcionários e que o CEO, Dara Khosrowshahi, irá renunciar seu salário base até o fim do ano - cerca de US$ 1 milhão. Já o Airbnb demitiu 25% do seu quadro de funcionários, totalizando cerca de 1,9 mil pessoas.

Imagine agora a situação dos shoppings centers. São quase 600 no Brasil, o país ocupa o segundo lugar da América Latina em número de shopping centers, ficando atrás do México. Onze deles foram inaugurados em 2019 e mais 21 inaugurações estavam previstas para este ano. Somados, os estabelecimentos faturam mais de R$ 192 bilhões ao ano, reúnem 502 milhões de visitantes por mês e geram mais de 1 milhão de empregos, segundo dados de 2019 da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Como será o balanço de 2020 no setor?

Modelo de negócio

A ideia não é entrar em pânico, mas, sim, repensar o modelo de negócio e de vendas e o principal: ressignificar o modelo mental. Antes de promover mudanças na empresa ou nos processos de marketing é preciso mudar o jeito de pensar. Tudo será diferente daqui por diante e terá mais êxito quem tiver capacidade de acompanhar essas transformações sem sofrimento.

Dito isso, vamos entender o que podemos fazer para integrar o novo mundo. Comece respondendo para si mesmo as seguintes questões:

  • Já tenho meus contatos em uma plataforma de CRM (Customer Relationship Management, ou, relacionamento com cliente)?
  • Minha empresa possui um software integrado de gestão empresarial que reúne numa única solução as informações gerenciais dos setores ERP (Enterprise Resource Planning)?
  • Utilizo chatbots para o relacionamento com o cliente, pagamentos ou vendas?
  • Já personalizo a comunicação e as prospecções com ações de Inbound Marketing?
  • Minhas mídias sociais, incluindo o WhatsApp, são automatizadas?
  • Já considerei realizar eventos online independente do Isolamento Social?

Caso sua resposta seja não para todos os itens acima, você precisa rever muita coisa para se adaptar ao mundo corporativo que está por vir. Mas não se preocupe, você não está sozinho. De acordo com dados da consultoria IDC Brasil, praticamente três quartos das companhias brasileiras (75,3%) já despertaram para a importância da transformação digital, mesmo assim, trata-se de uma tomada de consciência tardia por parte dos empresários nacionais: 42% admitiram que esperam iniciar esse processo em 2021 e 10% não possuem qualquer planejamento de como fazer isso.

O momento é agora. Não podemos esperar até 2021. É preciso fazer um bom planejamento hoje para colher os frutos lá na frente. Não estamos falando em digitalizar 100% da empresa ou investir muito dinheiro em tecnologia. A ideia é repensar cada processo ou departamento do negócio para adequá-los melhor. Isso passa por gestão de custos e também pela abertura da mente para processos mais criativos e disruptivos.

A aposta para o futuro próximo será o modelo de trabalho híbrido (misturando virtual e presencial), e para que isso dê certo é preciso rever muitas coisas. Reflita e vamos trabalhar hoje para construir um amanhã mais promissor.    

Autor do post: Danielle Fuchs, consultora de marketing parceira da Florença





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