Chegou o momento de sair do básico

Em época de economia aquecida e margens de lucro em alta, cria-se uma terrível sensação de que não necessitamos de cuidado e atenção com a gestão, organização e controle, já que a estabilidade momentânea cria um sentimento de que ‘em time que está ganhando não se mexe’. Em momentos como esse, quando as empresas poderiam planejar investimentos – já que há recursos para isso –, muitas vezes não saímos do lugar.

Agora vamos ‘voltar à terra’: estamos passando por um período de retomada da economia, onde a briga é por centavos, e neste cenário, ganha quem tem informações qualificadas para a tomada de decisão, ou seja, quem cuida dos detalhes, dos recursos e das pessoas.

Se isso é fato e somos empurrados para o desafio de fazer mais com menos, por que mesmo assim não conseguimos mudar? Por que temos essa imensa dificuldade de fazer diferente, já que enxergamos os mesmos problemas diariamente? Por que criamos zonas de conforto, sobre situações e circunstâncias em que não existe nenhum conforto real?

Muitos empresários e gestores se deparam com as mesmas dificuldades, sabendo que alguns processos estão equivocados, que alguns comportamentos e atitudes não fazem bem ao negócio, que colaboradores precisam ser qualificados, que reuniões de alinhamento precisam ser incluídas na rotina semanal, que existem momentos em que o celular precisa ser desligado para que reuniões sejam produtivas e assertivas, e por aí vai. Mas nada é feito!

Muitas vezes nos preocupamos com grandes investimentos, com grandes mudanças, com o futuro, mas não damos um passo sequer no presente para mudar os nossos hábitos.

Desembolsamos recursos todo mês, pagando serviços dos mais diversos, mas não questionamos ou avaliamos a qualidade da entrega. Fazemos por que é necessário, por comodidade ou conveniência. Questione: esse serviço realmente agrega valor ao seu negócio; ele é essencial; é feito de forma precisa, gerando informações confiáveis? 

Neste sentido, volto a perguntar: por que não conseguimos sair do básico para o avançado? Porque isso depende de uma decisão, e decisões difíceis são sempre deixadas para um segundo momento, já que causam desconforto. Esse é o motivo pelo qual empresas se sobressaem em momentos de dificuldade. Elas são como camaleões que se adaptam rapidamente as mudanças, pois estão dispostas a ‘sofrer’ para mudar e se adaptar as novas necessidades. E o sofrimento vem em investir, em mudar as atitudes, em buscar enxergar além dos muros da empresa.

Quer sair do básico? Invista em conhecimento passível de aplicação a sua realidade de negócio, pois nem tudo o que está disponível vem ao encontro das suas necessidades. E observe quais são as suas dores, o que incomoda mensalmente e precisa de um remédio eficaz e definitivo.

Portanto, entenda que decidir o que não fazer é tão importante quanto decidir o que fazer.

 

 

Autor do post: Uilker Benkendorf, consultor de gestão da Florença





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