Seja bem-vindo ao mundo Vuca!

Você já ouviu falar do mundo VUCA? Pode ser que não, mas certamente já sente os efeitos dessa realidade que vem sendo gradativamente incorporada pelo mercado desde a crise financeira de 2008. A sigla em inglês surgiu na década de 1990, no ambiente militar americano, para explicar o contexto mundial pós-Guerra Fria. Traduzindo-a para o português, temos: volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).

A visão de mundo Vuca nos negócios se expressa neste ambiente acelerado e disruptivo que sofre alterações a todo momento, especialmente pelo desenvolvimento da tecnologia, que impacta diretamente na esfera produtiva. Sabe aquela sensação de que o tempo está passando mais rápido e que ficar parado significa ficar para trás? É um efeito direto do conceito Vuca. Neste caso, como ficam os planejamentos de longo prazo, já tão desafiadores para carreiras e organizações?

A resposta não é tão simples, mas a verdade é que as mudanças acontecem de uma maneira muito rápida e em maior quantidade do que em qualquer outra época da humanidade, e não existe um freio de mão a ser puxado. O conhecimento que servia a uma geração inteira agora fica obsoleto em menos de uma década. Para lidar com essa VOLATILIDADE, precisamos quebrar o paradigma do ‘isso sempre funcionou’ e estar dispostos a reaprender o tempo todo, com prontidão cognitiva.

Para entender melhor o ritmo com que as coisas acontecem e mudam hoje em dia, compare: enquanto o rádio levou 38 anos para atingir 50 milhões de usuários e a TV levou 13 anos, a internet atingiu essa marca em apenas 4, e o Instagram em 6 meses.

Mas apesar da grande quantidade de informações disponíveis, elas não garantem que possamos ter previsibilidade sobre o futuro porque elas se tornam perecíveis em pouco tempo, haja vista a velocidade das mudanças. Ou seja, temos que conviver com a permanente INCERTEZA sobre o futuro. As soluções de hoje podem não ser aplicáveis aos problemas de amanhã. Imagine, por exemplo, que você está se formando hoje numa carreira que deixará de existir nos próximos anos porque sua função será substituída por algoritmos e robôs. Segundo pesquisas, um terço dos postos de trabalho nos países desenvolvidos serão substituídos por robôs até 2030. Desafiador, certo? Por isso o novo mercado de trabalho também precisa se adaptar, incorporando estruturas orgânicas, ambientes dissidentes e colaborativos com foco em inovação e resultado.

Interconectividade

O ambiente supersônico do mundo Vuca não é mais linear, com uma única resposta para cada pergunta. A interconectividade entre as coisas e as pessoas cria uma rede interdependente e COMPLEXA, fazendo com que ações isoladas tenham consequências múltiplas. E a AMBIGUIDADE é consequência da complexidade deste mundo não-linear, onde não há respostas únicas e soluções definitivas. Tudo muda o tempo todo e essa é a realidade do mundo Vuca, que também é pautado por crises de diferentes ordens, tanto na macro quanto na microeconomia. E como lidar com tudo isso, afinal?

Com resiliência. Com capacidade de se adaptar rapidamente às constantes mudanças e crises. O analfabeto do Século 21 será aquele que não conseguir aprender, desaprender e reaprender. O conhecimento não é mais fixo como antes, quando o diploma de faculdade garantia a expertise que serviria para toda uma carreira. O que precisamos agora é praticar a mentalidade do desenvolvimento contínuo:lifelong learning ‘aprender por toda a vida’. E todos temos essa capacidade. O conhecimento tem prazo de validade, mas nossa habilidade para aprender coisas novas é infinita, basta ativá-la!

Você e sua organização querem ser menos suscetíveis às intempéries da volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade do mundo Vuca? Então tenha clareza de propósito e invista no Ethos da sua marca. O propósito será sempre o centro e o caminho, que deverá ser construído e reconstruído constantemente, sem jamais deixar de lado a essência. Seja bem-vindo ao mundo novo!



Autor do post: Adriana Moser, consultora de gestão e diretora da Florença Empresarial



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