MRP e a importância das Estruturas

Certamente você já se deparou com uma situação em que o estoque contábil não tem nada a ver com o estoque físico. Para ajustar esse estoque, o alinhamento financeiro é muito relevante, seja para mais ou para menos. Independente do sistema operacional, a alimentação do sistema, a estruturação dos produtos e a movimentação diária são de extrema importância para que essas diferenças sejam as mínimas possíveis num inventário da empresa.

O pessoal do planejamento, a ‘galera do PPCP’, tem o desafio diário de garantir que os materiais estejam disponíveis no momento certo para a produção sem que haja um estoque excessivo ou pior: a falta de um item intermediário para a produção de um produto.

O MRP (Material Requirement Planning), que em português significa Planejamento de Necessidades de Materiais, é o sistema que pode fazer a empresa funcionar como um relógio ou pode ser uma bomba relógio, fazendo com que os donos da empresa tenham um infarto a cada final de mês, pois ajustes de estoques contábeis x físico mexem com o caixa. Para que um sistema MRP funcione efetivamente existem duas etapas extremamente importantes: a atualização do MRP, através do Plano Mestre de Produção, e ainda mais importante a criação, cadastro e manutenção das estruturas de produto.

O funcionamento dessa ferramenta (MRP), praticamente depende dessas duas atividades, pois a alimentação do MRP consiste em informar ao sistema qual o produto acabado, qual quantidade e em que data este será produzido, informando pelo menos 3 meses à frente a quantidade de produção de todos os produtos de linha.

No MRP é possível definir produções semanais e, com isso, consumos semanais de produtos intermediários. Porém, além de buscar ser o mais assertivo possível no que diz respeito às quantidades de vendas e datas de produção dos produtos acabados, ainda mais importante é o cadastro das estruturas corretamente.

As estruturas de produção são como receitas de bolo. Abaixo do primeiro nível, que é o nome do produto acabado, com seu respectivo código de produto, temos o segundo nível, que são todos os insumos e suas quantidades necessárias para a produção de uma unidade de produto acabado. Essa é a cereja do bolo! Se houver no cadastro da estrutura o consumo correto de cada produto consumido, menores serão os ajustes financeiros no inventário e menores serão as diferenças de estoque dos insumos.

O que pode ocorrer, como exemplo, num erro grave de estrutura, é esquecer de colocar um item no cadastro desta estrutura e este não ter seu devido consumo contábil na medida em que as vendas e os lançamentos de produção vão acontecendo. Neste caso, o que irá acontecer é que no final do mês, ao fazer o inventário, irá se constatar que um dos itens de estoque não teve movimentação e, consequentemente, não teve consumo, porém fisicamente não existe mais. As consequências disso já se pode imaginar!

Estruturas de produção cadastradas corretamente, juntamente com um MRP bem calculado de acordo com uma previsão de vendas eficiente, é tudo que as demais áreas precisam, pois com essas atividades funcionando corretamente as distorções de informações e as diferenças financeiras temidas ao final de cada mês serão amenizadas, podendo serem ajustadas, porque pequenas diferenças podem estar relacionadas a outros fatores como qualidade e perdas de processo, e não mais ao Sistema ERP.

Autor do post: Antonio Veiras, consultor de gestão da Florença





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