O sucesso começa por um bom trabalho de base

Seu Aldo tem a mesma rotina há 35 anos. De segunda à sexta, levanta às 5h da manhã, toma seu café, passa na feira e às 7h30 está levantando as portas do estabelecimento.  A tradicional Lanchonete Vieira fica na mesma esquina e oferece praticamente os mesmos produtos desde a inauguração em 1984. Apesar de uma incrementada ou outra no cardápio, o pastel de frango com palmito e o pão com bolinho não podem faltar, são marca registrada.

No sábado passado, Seu Aldo, todo orgulhoso e emocionado, formou o filho caçula em Medicina. Agora, até pensa em passar a lanchonete para frente e descansar, já que conseguiu realizar o sonho de dar uma boa carreira aos três filhos. Diz ele que não queria que os meninos também passassem a vida no balcão da lanchonete, como ele.

Seu Aldo construiu um negócio de sucesso. A Lanchonete dá lucro e não tem dívidas (fez empréstimo uma vez ou outra por causa das enchentes que sofreu), tem clientes fidelizados e dois funcionários que trabalham há mais de 10 anos com ele. Você até pode não se ver à frente da Lanchonete Vieira e nem com a rotina do Seu Aldo, mas não pode negar que ela é um negócio de sucesso, afinal foi através dela que ele realizou todos os projetos de vida. E o que mais um empreendedor pode querer, não é mesmo?  

A receita do Seu Aldo é simples: fazer muito bem o básico. O primeiro ponto é que ele tem total clareza sobre o perfil do cliente e, com isso, oferece um produto e um serviço na medida para ele. Raramente alguém entra na lanchonete e pede algo que não tem. A fachada do estabelecimento, a exposição dos produtos, a propaganda na rádio local e o boca-a-boca não deixam dúvidas sobre o que ela oferece.

Seu Aldo concluiu apenas o Ensino Fundamental, mas como ele mesmo diz com um sorriso no canto da boca, “é muito bom em matemática e sabe fazer todas as contas de cabeça”. Mais do que isso: Seu Aldo é muito organizado e tem registro de tudo. Ele sabe quanto vende por dia e quantos clientes são atendidos. Sabe quanto gasta com os fornecedores, com as despesas e, claro, quanto sobra no fim do mês. Anos atrás, anotava tudo em um caderno, mas depois que o filho do meio, hoje engenheiro, trabalhou com ele, compraram um computador e um sistema. Seu Aldo não toma sustos porque já entra no mês com uma previsão de quanto vai vender.

Além do pastel de frango com palmito e do pão com bolinho, que são marca registrada, o atendimento é outro grande diferencial. Todos os clientes são recebidos com um sorriso no rosto em um ambiente sempre limpo e agradável. “Sem clientes não tem lanchonete”, diz Seu Aldo. E não são apenas os clientes que são as estrelas do negócio. Os funcionários também são. A rotatividade de pessoal é baixíssima e qual é o segredo? Deixar tudo acordado desde o início e estar sempre à disposição para ouvir. “Se eu não gostasse de trabalhar com gente não estaria há 35 anos no balcão”, conclui Seu Aldo.

À essa altura, você deve estar pensando que a história da Lanchonete Vieira não lhe serve de exemplo porque o seu negócio é bem mais complexo. Mas o Seu Aldo nos traz uma lição sutil e importante: o plus só faz sentido se o básico estiver funcionando. Pensamos o tempo todo em como melhorar nossa empresa, aumentar as vendas e os resultados, nos diferenciar dos concorrentes, inovar. Mas será que estamos aplicando os fundamentos básicos para que a empresa tenha sustentação? 

Por exemplo: adianta pagar um curso caro para a equipe comercial aprender as mais modernas técnicas de negociação e vendas se a empresa não tem um produto ou serviço de qualidade? Investir em marketing digital e ter um péssimo atendimento ao cliente? É coerente cobrar resultados cada vez mais ousados se não há métricas e acompanhamento? Contratar o melhor gerente se ele não tem informações para trabalhar?

Antes do fino acabamento, vêm os fundamentos. Pular etapas fará com que você perca eficiência e o resultado final não será bom. Você gastará muitos recursos – tempo, dinheiro, esforço – e não chegará na meta desejada.

A Lanchonete Vieira poderia, sem dúvida, faturar mais, lucrar mais, ter aberto filiais e ter ainda mais resultado se o Seu Aldo tivesse sido mais arrojado e inovador.  Mas ela não teria resistido às crises e mudanças das últimas décadas e nem custeado a formação dos três meninos se o Seu Aldo não tivesse executado com eficiência o básico: foco, planejamento e disciplina. Pense nisso!

Autor do post: Adriana Moser, consultora, coach e diretora da Florença Empresarial





Você gostou? Compartilhe com seus amigos