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Centralizar ou delegar? Eis a questão!

Vivemos tempos em que lidamos com dilemas internos que muitas vezes bloqueiam a tomada de decisão e, consequentemente, a oportunidade de trabalharmos de forma mais assertiva e tranquila, usando não só o nosso conhecimento e sabedoria, mas também das pessoas que contratamos para executar os mais variados trabalhos nas empresas.

Quando assumimos tudo, pensando que todos ao nosso redor não conseguem compreender e executar determinadas funções, ficamos ansiosos, sobrecarregados, sem tempo para nada e, consequentemente, doentes. Quando delegamos sem o devido acompanhamento, a mesma ansiedade nos consome, pois o tempo dos outros é diferente do nosso, a forma como os outros constroem as soluções é diferente da nossa e, muitas vezes, as soluções não saem do papel, ou seja, as ações não são colocadas em prática.

Para variar não existe nada fácil no mundo empresarial, porém é inevitável que você construa e treine uma equipe que compreenda exatamente o que você quer, o que a empresa precisa e quais são os reais propósitos do trabalho.

O que vemos no dia a dia são empresários com os seguintes comportamentos:

  • Não conseguem delegar e descobrem aos poucos que não possuem mais energia para caminhar sozinhos, pois o estresse e o cansaço dominam a vida empresarial;
  • Conseguem delegar quase tudo, porém não repassam aos colaboradores de forma clara o que precisa ser feito e não qualificam adequadamente estes mesmos colaboradores de acordo com o propósito da organização. Estes continuam estressados e cansados, pois os mesmos problemas se repetem ao longo do tempo;
  • Centralizam o que é estratégico e delegam o que não é, mas não investem adequadamente no acompanhamento e treinamento e sofrem porque acham que estão fazendo tudo certo, colocando a culpa dos problemas no mundo e em todos;
  • Empresários centralizadores bipolares que um dia tomam a decisão para a “esquerda”, no outro para a “direita” e que cobram do colaborador assertividade, pois acreditam que dão carta branca, achando que o mesmo tem uma “bola de cristal” em mãos para fazer tudo de acordo com o que ele pensa – ou não pensa;
  • Empresários que abdicam, ou seja, dão ordens e exigem resultados sem acompanhamento e apoio, abrindo mão de qualquer responsabilidade sobre o modo como os processos são realizados. Se der certo, o empresário recebe os “louros” e se der errado a culpa é de quem executou a tarefa;
  • Empresários que sabem que problemas existem e sempre irão existir e que delegam o que é possível delegar, tendo consciência dos problemas, buscando o alinhamento de forma profissional, com pulso firme, porém com consciência de que essa é a realidade do mundo empresarial. Estes empresários coordenam, lideram, acompanham e constroem um ambiente melhor a cada dia, participando ativamente do processo.

Se estamos abdicando das nossas responsabilidades, estamos afirmando que simplesmente queremos algo, mas sem o peso da responsabilidade. Nas empresas isso é péssimo, pois gera insegurança e desmotiva qualquer iniciativa dos subordinados em buscar desafios, pois rapidamente perceberão que perderão de qualquer maneira.

A centralização desmedida, por outro lado, denota um alto nível de desconfiança. É a arte de fazer tudo sozinho ou dar ordens tão detalhadas que é como se estivesse fazendo ele próprio. Aos poucos você percebe que não consegue mais alcançar seus objetivos e que não tem energia suficiente para ‘abraçar o mundo’. Uma das principais consequências desse processo é a infantilização da equipe, pois ninguém toma a iniciativa, esperando a decisão do ‘grande chefe’.

Então por que delegar? Delega-se uma tarefa a outra pessoa porque se confia nela, por acreditar em seu potencial ou para conhecer sua capacidade. Ao contrário do que muitos pensam, delegar não é dar uma tarefa e acompanhar o processo. É muito mais do que isso: significa dar autoridade e poder para alguém realizar algo, mas ser corresponsável pelos resultados obtidos, aconselhando, ajudando a tomar decisões e fazendo ajustes. Isso é bom para o funcionário, que se sente motivado e seguro, e ótimo para o gestor, que consegue formar melhor sua equipe de trabalho e ganhar tempo para dar atenção às outras prioridades na empresa. Quem delega desta forma abre espaço para inovação, criatividade e enriquece o capital intelectual da empresa.

De alguma forma, todos nós estamos inseridos em um ou mais perfis, e nada é permanente, pois a vida empresarial é feita de aprendizados diários. Porém pense um pouco nisso e no seu papel dentro da organização. Infelizmente, independente do perfil do seu negócio e das suas características, só existe um modelo de construção que pode trazer resultados diários e que pode contribuir com a formação de uma cultura de qualidade a médio/longo prazo.

O empresário precisa entender que, hoje, deve desempenhar um papel claro de liderança, pois o sucesso da empresa e do negócio vem do sucesso da equipe. Muitas vezes deverá atuar na retaguarda, principalmente quando as coisas vão bem, privilegiando e elogiando os profissionais que compartilham dos mesmos desafios. Por outro lado, quando as coisas vão mal, ele deve se colocar à frente, protegendo e dando segurança para que desafios sejam vencidos e que novos modelos e estratégias sejam colocados em prática. 

 

 

Autor do post: Uilker Benkendorf, consultor, coach e diretor da Florença Empresarial

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