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O conhecimento como fonte de inovação e riqueza

Para Mayhew (2000), a organização ao coletar os conhecimentos individuais transforma estes em ativos valiosos. Galbraith (1997), sugere que uma proposta de estrutura organizacional adequada à organização favorece não apenas a criação do conhecimento (criatividade), mas também a inovação (aplicação de uma nova ideia).

A Gestão do Conhecimento possibilita às organizações a qualificação da tomada de decisão e o uso de recursos de inteligência competitiva e coletiva. O papel da inteligência competitiva e coletiva não é apenas identificar a informação relevante, mas tratá-la para que ela possa servir a quem decide.

Hesselbein, Goldsmith e Beckhard (1997) reforçam que a informação, por si só, não leva a organização a novas conquistas. É preciso usar as informações para algo útil, para uma ação organizacional e só assim haverá conhecimento. A função da aprendizagem organizacional é gerar mais conhecimento; a função da capacidade absortiva é captar e aproveitar este conhecimento para utilizá-lo na organização e na sociedade.

Ao transitar por diferentes áreas do conhecimento humano, sem limitar-se a um domínio exclusivo, a gestão do conhecimento adquire natureza interdisciplinar, pois permeia os mais diversos saberes, que fornecem a matéria-prima (conhecimento), compartilham conceitos, geram e absorvem aprendizados.

A Gestão do Conhecimento é uma disciplina relativamente recente, abordada e pesquisada por diversas áreas, tais como: Ciência da Informação, Ciência da Computação, Administração, Engenharia de Produção e Biblioteconomia. Essa gama de saberes compartilha conceitos e estudos, em constante comunicação entre as disciplinas, buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo.

As mudanças em todas as áreas, as novas exigências do mercado de trabalho, sobretudo no campo da pesquisa, da gerência e da produção, novos produtos e serviços, as TICs (tecnologias da informação e comunicação) deixam cada vez mais tênue os limites exatos entres as disciplinas e áreas do conhecimento. Unidas e coordenadas as áreas conseguem dar uma resposta melhor às suas demandas. Um exemplo do ambiente interdisciplinar e sistêmico do contemporâneo são os mercados financeiros integrados globalmente e suscetíveis as oscilações derivadas de variáveis de diferentes setores. Isto demonstra o grau de interdependência alcançado pela sociedade atual. “A modernidade é líquida” ZYGMUNT BAUMAN (2001).

A interdisciplinaridade surge como resposta a complexidade, tornando-se a gênesis para o conhecimento do contemporâneo. A ideia de conhecimento dividido, facetado e tutelado em áreas distintas e rígidas serviu ao modelo cartesiano-mecanicista, mas não contempla a realidade presente. Morin (2005), afirma que não se deve criar fronteiras para os temas importantes, pois estas são sempre fluídas e sujeitas a interferências.

Para Capra (1996), o estudo dos problemas da atualidade leva o indivíduo a entender que estes problemas são de natureza sistêmica, conectados, relacionados ou interdependentes. Se os problemas são interdisciplinares o conhecimento também deve ser, do contrário, as respostas serão incompletas e insuficientes.

Finalmente, Segundo Nonaka e Takeuchi (1995), que trazem o conceito de organização em hipertexto, onde os indivíduos que compõem a organização têm habilidade em se adaptar a novos cenários e contextos, movimentando-se entre os três níveis organizacionais, estabelecendo uma dinâmica de criação do conhecimento que permeia estes diferentes níveis constantemente. Por exemplo, os integrantes de uma determinada área da empresa são deslocados para um projeto novo, quando estes integrantes finalizam o projeto retornam para suas áreas originais e avaliam e documentam/registram suas experiências durante o período em que estiveram envolvidos com o projeto. Este processo gera um novo patamar de conhecimento, pois estes integrantes absorvem novas habilidades, perspectivas, experiências, visões, conceitos e práticas, passando, na volta, a atuar dentro da organização e “contaminando” a base da organização com o fruto de seus aprendizados. Este ciclo, ao tornar-se perene, faz com que a organização toda evolua ao aproveitar os espaços e momentos de inovação como fonte e recurso para a produção e transferência de novos aprendizados e conhecimentos por todos os níveis da organização.

Depois deste percurso e visita aos diversos autores e teóricos, aos especialistas do assunto, é muito evidente a ideia que a interação humana, as trocas, práticas e compartilhamento produzem o conhecimento mais rico e que afeta toda a organização. Mas também se percebe que criar ambientes privilegiados, espaços físicos, mentais e virtuais, é fundamental para que a inovação possa ocorrer, até como forma de protegê-la da rigidez limitadora da estrutura convencional e continua das organizações. Nesta dicotomia se traduz o dilema: como isolar e proteger sem privar da necessária interação e das trocas. Talvez, resida na solução, em encontrar a equação, a forma e o momento adequado de isolar e aproximar, a verdadeira habilidade das organizações em aproveitar ao máximo projetos e experiências de inovação.

Autor do post: Flávio Guerrico, consultor e coach da Florença Empresarial

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