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É gestão e ponto final!

O que dizer de um mercado tão volátil? Ao mesmo tempo em que empresas lutam para permanecer neste mercado hostil, outras ‘nadam de braçadas’, fazendo do desafio um combustível para o sucesso. A equação não fecha, essa matemática ultrapassa qualquer tentativa de discernir o certo do errado, o ideal do absurdo.

Vivemos em tempos difíceis, o que não é novidade, porém o que mais chama a atenção é a diferença entre empresas e empresários que, mesmo diante de todas as dificuldades, aguentam firme, investindo no principal: Gestão!

O termo ‘gestão’ surgiu com o pesquisador social Lazarsfeld, que fez uma pesquisa empírica sobre eficiências de empresas para avaliar dimensões de rendimento e produtividade entre duas empresas iguais e com os mesmos fatores de competição. A palavra está relacionada às estratégias de conduzir um plano de ação em determinada direção com eficácia, eficiência e efetividade. Deu um nó, certo? Vamos aos conceitos práticos:

  • Eficiência: é quando algo é realizado da melhor maneira possível, ou seja, com menos desperdício ou em menor tempo. Relacionado ao CUSTO.
  • Eficácia: é quando um projeto/produto/pessoa atinge o objetivo ou a meta. Relacionado ao RESULTADO.
  • Efetividade: é a capacidade de fazer uma coisa (eficácia) da melhor maneira possível (eficiência). Relacionado ao IMPACTO.

Gestão tem um sentido extremamente amplo, mas vamos focar na gestão de pessoas, de equipes e de informação. 

Investimentos em tecnologia, sistemas, máquinas e equipamentos de ponta são importantíssimos, porém de nada adiantam se não observarmos a qualidade e qualificação do pessoal de frente, de quem lidera, dissemina conhecimento e pensa na empresa como se fosse sua. Socorro, cadê essa turma?!

Sim, esses profissionais existem e estão no mercado, porém precisamos compreender que tudo começa com o entendimento de que as virtudes comportamentais suportam as virtudes técnicas. Esse assunto é tão disseminado e em contrapartida tão esquecido que nos deparamos com dificuldades homéricas para aplicar o básico em muitos ambientes e empresas.

Somado a isso, podemos afirmar que existe uma relação ‘simbiótica’ da qualificação desses profissionais com a geração de informação qualificada para a tomada de decisão. Desculpem, sistemas de informação, ERPs, softwares, ajudam muito, porém se não há quem alimente, interprete e transforme adequadamente essas informações, nada acontece. Básico?

Isso não é novidade, não é nada que já não sabemos. O problema é que estamos tentando dar um jeitinho nas coisas, adaptando como possível, esquecendo que o nosso mercado, diferentemente da maioria dos mercados, é complexo em todos os seus aspectos. E como alcançar metas e superar desafios sem essa turma?

Peço perdão pela sinceridade, sei o quanto é difícil equacionar a relação custo-benefício e encontrar profissionais dispostos a fazer diferente, porém está na hora de o empresário colocar na balança de forma clara que investir é necessário. Poucos estão dispostos a investir e todos os possíveis argumentos válidos que qualquer empresário colocar na mesa são compreensíveis, mas nada acontece sem riscos, mesmo que a margem para erros seja pequena.

Sempre escuto dos empresários: ‘É inacreditável como os profissionais não conseguem fazer o básico!’. Sim, estamos com problemas nessa esfera, porém reclamar não resolve. Qualifique, comunique, alinhe pessoas, processos, ideias, informações e equipes. Na prática, são horas e horas de treinamento que poderiam ser dedicadas exclusivamente a produção, mas esta dedicação é necessária e faz parte do contexto. A criação de uma cultura de eficiência, eficácia e efetividade dependente disso!

O medo do amanhã pode nos paralisar hoje a ponto de não haver o amanhã – digo no sentido da continuidade do negócio. Quanto de recurso você emprega em algo que talvez não faça sentido? Quanto de recurso você emprega em questões supérfluas que poderiam ser direcionadas para a contração, desenvolvimento e retenção dos colaboradores? Quanto dinheiro vai para o ‘ralo’, justamente porque não existem profissionais pensando a empresa por você? Vou parar por aí!

Entendo que não existe matemática perfeita, porém a reflexão é importante porque o caminho é difícil e inevitável. Reflita!

Autor do post: Uilker Benkendorf, consultor, coach e diretor da Florença Empresarial

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