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Divergência é convergência!

Não! Loucura é pensar que uma boa discussão sobre propósito, soluções ou posicionamento é maléfica às empresas e relações. Atualmente, esse pensamento equivocado leva a derrocada de muitos relacionamentos, sociedades e empresas, pois em muitos ambientes existe ainda a ideia da soberania na tomada de decisões, vinculada a posição no nível hierárquico, status da função ou conhecimento do perfil ou personalidade de quem ‘comanda’.

Neste caso, para que tudo caminhe de forma perfeita, é importante ter ao seu lado pessoas que concordem com você o tempo todo, afinal, quanto tempo você se preparou pra isso, estudando, trabalhando, avaliando, coordenando – você suou para chegar aí, certo?

É aí que mora o perigo: a ideia de que um ambiente perfeito está atrelado a visão monocrática de um ou poucos pares e que isso é essencial para o crescimento sustentável de um negócio, de um setor, de relacionamentos duradouros, de um ambiente de tranquilidade e paz absolutos.

Não existe mudança sem ‘caos’, sem divergência, sem uma pitada de conflitos e boas discussões. Agora, para que vocês entendam o conceito, quando falamos em caos, pensamos sempre em algo extremamente ruim, certo? Tratando-se da Teoria do Caos, podemos dizer que se trata de algo bom, pois essa teoria traz explicações sobre fenômenos não previsíveis. Portanto, a Teoria do Caos é um padrão de organização dentro de um fenômeno desorganizado, ou seja, é o chamado estudo da desordem organizada. O conflito, no entanto, pode ter efeitos negativos como positivos, e em certos casos e circunstâncias, é visto ‘como fator motivacional da atividade criadora’.

Levando isso para o tema em questão, quando discutimos ou nos posicionamos de forma adequada, com o devido cuidado na abordagem, visando o crescimento do todo e das relações, podemos imaginar que inicialmente tudo está fora do eixo, fora da normalidade, desorganizado, pois ninguém se entende. Porém na devida dose, é essencial para que surjam novas ideias, para que paradigmas sejam quebrados, para que haja evolução.

Quando não nos posicionamentos, buscando simplesmente evitar discórdias ou problemas, estamos colocando embaixo do tapete, aos poucos, ingredientes poderosos para a construção de uma bomba. Por que essa analogia? Porque questões não resolvidas vão preenchendo, aos poucos, espaço em nossos pensamentos e lá adiante, com um simples cumprimento de ‘bom dia’, vem a seguinte resposta: ‘só se for para você, porque...’ e cabum!

Isso ainda é mais evidente em relacionamentos familiares, dentro e fora do contexto das organizações – agora coloquei mais alguns ‘megatons’ nessa brincadeira.

Em resumo, todos nós carregamos de alguma forma o que conhecemos como crenças limitantes, ou seja: ‘são pensamentos que você pode tomar como verdadeiros, mas na verdade são falsos, ou seja, não são verdades absolutas. Essas crenças podem afetar a sua vida, impedindo-o de se tornar melhor e evoluir.”

Esqueçam os conceitos de afronta e desrespeito às pessoas. Nada disso. Estou afirmando que a divergência saudável está pautada em princípios como ética, respeito, cuidado e quando falamos em abordagem, até uma certa dose de carinho, pois você normalmente conhece quem é o interlocutor. Neste caso, é essencial para que propósitos, ações, visão e tudo mais sejam alinhados, que rotas sejam corrigidas para que exista evolução e crescimento.

Você pode questionar: Ok, entendido, mas...se der tudo errado? A construção de uma nova cultura não se dá num estalar de dedos. Para que se construam dias melhores, temos que ter a capacidade de ouvir e abordar, derrubando aos poucos crenças que nos impedem de evoluir e transformar. Isso é positivo para os relacionamentos e para o crescimento das organizações. E não existe mudança sem tentativa, sem o ímpeto de fazer diferente. Nem sempre as coisas saem como planejamos, mas tudo começa com o plantio de pequenas sementes que se bem regadas e adubadas trarão belos frutos no futuro.

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