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Startups: o que devemos aprender com elas

Negócios que começam pequenos e tornam-se globais em menos de 10 anos. A maioria com base tecnológica e grande potencial inovador, impactam milhares de pessoas entre clientes, fornecedores e parceiros. As startups não crescem apenas numa velocidade surpreendente mas também desconstroem mercados inteiros e reinventam a relação do consumidor com produtos e serviços, como vem acontecendo com o Uber, Airbnb, Amazon e tantas outras. O modelo de crescimento dessas ‘empresas foguetes’ não está apenas na tecnologia, mas em um conceito de gestão próprio que ajuda a priorizar os problemas que precisam ser resolvidos em cada uma das fases do negócio e a acelerar sua escalada: é o Blitzscaling, conceito criado por Reid Hofmann, fundador do Linkedin.

O modelo divide o desenvolvimento das empresas em cinco fases, que vão desde a construção do modelo de negócio, chamada de ‘família’, até a fase em que a startup se torna global, chamada de ‘nação’. Há ainda as fases intermediárias: ‘tribo, com foco na execução; ‘vila’, momento de criar e efetivar o plano de expansão e, a fase ‘cidade’, quando a empresa está consolidada no mercado e não pode perder a velocidade. Para cada uma das fases há desafios a serem vencidos que envolvem planejamento, pesquisa, processos e mudanças de comportamento.

Quem é empreendedor sabe que nem sempre o crescimento da empresa acontece de forma ordenada e planejada. Muitas vezes, o mercado demanda e precisamos responder de forma rápida para não perder a oportunidade e não dá tempo para organizar adequadamente a operação.  E é justamente nesse ponto que as startups têm muito a nos ensinar. Imagine uma empresa que começa com 3 pessoas e em pouco tempo emprega milhares mundo afora? O Blitzscaling traz algumas práticas preciosas para conduzir a gestão da empresa e crescer com consistência e velocidade, mesmo que o seu modelo de negócio não tenha sido criado para escalar e virar global. Vamos a elas:

  • Na fase inicial do negócio é preciso construir alicerces firmes, pensando que ele irá crescer e que a operação, a gestão das pessoas e do capital irão mudar significativamente. As coisas não ficarão sempre na sua mão e ao alcance dos seus olhos; 
  • Defina o papel que os sócios terão no negócio e discuta com eles, frequentemente, os objetivos e aquilo que os fazem estar juntos e acreditando no negócio; 
  • Desenvolva a resiliência, pois pode dar errado e o segredo dos grandes empreendedores é saber recomeçar; 
  • O empreendedor não pode ficar o tempo todo mergulhado na operação. Ele precisa dispensar ao menos 20% do seu tempo buscando referências, tendências e capacitação. Converse com outros empreendedores e troque experiências sempre; 
  • É essencial não perder a velocidade nas respostas. Um grande desafio que vem com o crescimento é não burocratizar demais e engessar o processo, principalmente na tomada de decisão. Lembre-se: o mercado muda o tempo todo e é preciso reagir rápido; 
  • Para que erros se transformem em aprendizado deve-se refletir sobre eles e compreender as razões. Novos erros virão, mas o importante é não repetir os mesmos; 
  •  Tenha um propósito claro e crie uma cultura que desenvolva as pessoas e seja baseada na meritocracia. Isso fará com que você atraia e retenha talentos e que todos foquem na mesma direção; 
  • Os cargos podem ficar maiores do que as pessoas, exigindo novas competências e habilidades. Às vezes é necessário demitir para não limitar o crescimento da empresa. Isso é bastante difícil, especialmente se essas pessoas construíram a empresa com você. Uma atitude digna é ajudá-las na recolocação. 

E uma última prática essencial: você terá que ser empreendedor e gestor ao mesmo tempo. Não perca a habilidade do empreendedor de desbravar e olhar para frente. Mas desenvolva a capacidade mais analítica e cuidadosa do gestor. O negócio exigirá os dois perfis. Então, sua empresa está pronta para acelerar?  

Autor do post: Adriana Moser, consultora, coach e diretora da Florença Empresarial

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