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Posso caminhar com os seus sapatos?

Achei incrível a exposição que está acontecendo no parque Ibirapuera, em São Paulo. “Caminhando em seus sapatos” é uma experiência sensorial em que você calça os sapatos de outra pessoa e caminha com eles enquanto ouve a história de vida do dono do sapato narrada por ele mesmo. Simples e impactante, o projeto nasceu em Londres e tem como objetivo ajudar a desenvolver a capacidade de olhar o mundo com os olhos de outras pessoas. Colocar-se no lugar do outro. Diminuir as diferenças. Gerar empatia.

Não visitei a exposição, infelizmente. Mas fiquei pensando, vendo as imagens de pés pequenos em sapatos grandes e, ao contrário, pés grandes espremidos em sapatos pequenos, o quanto é realmente difícil “calçar” a vida do outro. Fala-se muito na empatia como competência essencial aos líderes e fundamental na construção das relações entre as pessoas, mas muito pouco se pratica. O individualismo, a intolerância e a voracidade dos nossos tempos nos tornam cada vez mais apáticos. E, ao invés de nos colocarmos no lugar do outro, queremos nos sobrepor a ele, impondo a nossa verdade. Uma pena!

 A empatia não pressupõe respostas e nem soluções, mas aceitação e não-julgamento. Segundo especialistas, o primeiro passo para desenvolvê-la é o autoconhecimento: reconhecer e compreender as próprias emoções. Olhar para si e depois para o outro. E quando for “olhar para o outro”, olhar com atenção e ouvir com o coração. Acredite, isso aproxima as pessoas e dissolve angústias. Afinal, o que a gente mais busca em meio a essa correria toda é ser percebido como pessoa.

Parece mais fácil ser empático com quem amamos ou com pessoas que viveram a mesma experiência que nós. O desafio é justamente sê-lo com quem teve uma vida completamente diferente da nossa ou que está numa posição oposta. Nos deparamos com isso o tempo todo no ambiente de trabalho, mas parece que não há espaço para a empatia. Estamos ocupados demais correndo atrás dos resultados e com isso não percebemos que ela é uma via de mão dupla: beneficia também o emissor à medida que o ajuda a lidar com seus próprios conflitos. Segundo a professora canadense Anita Nowak, pesquisadora da empatia e diretora da Área de Iniciativas Sociais e Econômicas da Universidade McGill, em Montreal, "a empatia é a força mais poderosa do mundo, só fica atrás do amor." Ouso dizer que não há amor sem empatia.

Achei muito pertinente a exposição acontecer agora, no final do ano. E que ano! Para mim, difícil e denso em todas as esferas. Mas 2018 está batendo à porta e para que ele seja melhor, depende da contribuição de cada um de nós. Talvez possamos sair por aí trocando de sapatos. Com o chefe, com o colega de trabalho, com o vizinho, com o pai. Que tal antes de julgar, rotular ou rejeitar a conduta de alguém, a gente estender as mãos e dizer: posso caminhar com os seus sapatos? Está aí um bom desafio para 2018!

Autor do post: Adriana Moser, consultora, coach e diretora da Florença Empresarial

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